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Marionete de mim mesma

Minhas porções hoje se misturam e se equilibram, uma tenta compensar a outra quando a maré baixa da incerteza se deixa levar pelas ondas agitadas da vaidade, do desejo e do crescimento em todos os sentidos. E mesmo tendo caminhos muitos e possibilidades mil, o vazio me visita, tenta me consumir, me desorientar, me fazer crer que o que sinto e vivo pode ser excesso e que querer menos da vida pode ser mais tranquilo. Mas não consigo me afeiçoar a mediocridade que a vida vez ou outra nos impõe, ainda prefiro a turbulência emocional de uma vida vista com olhos desnudos a uma morna convivência com a sensatez desmedida.

Porém, não raras vezes, o caminho mais fácil nos seduz. É bem mais fácil se acomodar numa situação definida, é bem mais fácil saber o que se vai fazer todos os dias rotineiramente, é muito mais fácil fazer o que todos concordam, é muito mais fácil viver com a segurança do território demarcado, é bem mais simples não correr quando se pode andar, é tão mais simples acreditar que certas coisas são como são e não se pode mudar e é infinitamente muito mais fácil quando os sentimentos são coerentes e aceitáveis.

Daqui de cima da minha pequena experiência de vida, "marionetando" a mim mesma percebo que há uma briga entre as nossas porções de gente, que juntas podem formar uma grande pessoa aos olhos dos outros ou uma grande pessoa para si mesma, dificilmente as duas coisas juntas. Minhas porções me assustam, me surpreendem e quando conheço uma e me certifico da sua força no meu viver, outra se manisfesta para me resgatar da mesmice de um ser previsível.

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