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Um rascunho perdido de amor

Em alguns dias esse amor, que já mora em mim faz tempo, chega assim súbito, como brisa no rosto em um dia de calor...e é tão bom sentir. Nessa hora até parece que ele é novo, amor menino, ainda contaminado pela veemência da paixão.





[Um texto iniciado em 07/03/13...resolvi não complementá-lo, pois cada emoção deve manter a essência do seu tempo.]
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Oclusão

Não sei como ainda pode existir algo de ti no meu peito, depois dos inúmeros pedaços que já arranquei...embora os tenha removido pouco a pouco, como aquele procedimento bizarro para curar queimaduras extremas (as necroses são retiradas da pele, para que a regeneração ocorra de dentro pra fora).E cada parte que eu tirava à força, era uma tentativa de viver de novo, mesmo me sentindo morta.

Durante todo este tempo, esses pequenos recomeços exigiram de mim muito esforço, porque estavam inclusos em um contexto de uma aparente harmonia. E mesmo com todo meu empenho em virar de vez esta página, você estava ali, mais presente do que eu conseguia admitir até pra mim mesma. Oscilação pura...é que de fato não é tão simples esquecer alguém que te faz interagir com um lado seu, até então, totalmente desconhecido. Provei da fração mais amarga que me constitui, aquela cuja autossuficiência e autocontrole, características que sempre me acompanharam e fizeram de mim a pessoa mais confiante do mundo, f…

Estações em mim.

Já mudei diversas vezes de vida, e, quase sempre, a mudança foi total.
Recomeços que tinham ar primaveril, com todo seu colorido e perfume. Mas mesmo em meio às flores, haviam enchentes na minha alma deixadas por aqueles invernos...
Quase temi o sol e a sua luz reveladora, ele que sempre aqueceu em mim tantos e tantos impulsos.
Corri atrás de nuvens e árvores, porque à sombra de mim era menos revolto ser eu.
Pedi clemência ao vento que soprava coisas aos meus ouvidos e fazia de mim escrava das emoções.
E quem haveria de imginar que a chuva me atraia? Era atrás dela que meu coração corria em pleno raiar do verão...

Do que paralisa minha alma.

Algumas lembranças são capazes de gelar meu corpo, esfriam-me como se a morte estivesse a caminho.
E eu, sempre tão apegada a todas as recordações que posso guardar, queria arrancar de mim este pedaço de vida.
Veementemente contra a tentativa de apagar seja o que for do passado, já que tudo contribui para personificar nossa existência, hoje me encontro em contradição e, com lamento, faço oposição a mim mesma.
Porque tudo que queria era simplesmente esquecer, é que lembrar gera um emaranhado de sentir.
Dói não poder ter feito diferente ou simplesmente ter feito e vivido o que agora me parece vazio.
E quando o pretérito pode comprometer o futuro, todo verbo conjugado torna-se vulnerável e sem solidez.
E não há martírio maior para quem só sabe viver em plenitude...

Do que soa aos sentidos.

Escrevo aqui deste silêncio que me sussurra coisas, muitas, tantas que não poderia enumerar.
É que quando o mundo emudece, as nossas verdades se aproveitam para serem ouvidas, e gritam dentro de nós todos os seus apelos.
E dessas coisas que ouço, umas ferem, outras alegram, umas incomodam, outras acalentam...sempre assim, causando sensações opostas, mas que no fundo, se complementam. Porque não existe amor sem dor, experiência sem displicência, saudade sem ausência.
Parar para se ouvir é, dentre outras coisas, um enorme desafio, pois é bem fácil confundir nossos murmúrios com a voz dos outros. Outros: estes e aqueles que acham que sabem o que se passa com a gente, que acham que nos conhecem e nos entendem. Ruídos, não passam de ruídos nessa busca pelo nosso som interior.
Para saber (e compreender) o que nossa alma tem a dizer é também preciso coragem.
Então, destemida escuto minhas vozes, às vezes confusas, mas quase sempre audíveis e muito claras.
O problema é que eu as ignoro...e s…

É tão meu esse querer relembrar...

Ahhh, eu sou essa saudade que não dorme, não descansa, não finda.
Sou esse caminhar para frente que vez por outra se encontra de pescoço virado, admirando ou contemplando o que se passou.
Sou um imenso apego a fases que me fizeram bem, a imagens que não se apagaram, a triunfos que me marcaram...
Eu só posso ser eu mesma se me fizer em pedaços, não fragmentos desconexos, mas partes que formam um todo que conversa entre si, um mosaico bem interessante de observar...
Que seria de mim sem meus ladrilhos?
Todos enriqueceram a figura que sou, até mesmo os menos coloridos.
E se há uma incapacidade em mim, com certeza é e sempre será esta, de seguir em frente sem olhar para trás...

O que nos trouxe até aqui.

Eu te pertenço há tanto tempo que nem sei se tive escolha... sou tua antes mesmo de te conhecer.
Eu não te procurei, talvez nem você a mim... é, nos encontramos.
Uns chamam de acaso, outros de destino, eu chamo de laços... laços que a vida amarra e desamarra sem que possamos entender exatamente porque.
Meu olhar fisgou a tua coerência e o teu corpo roubou a minha lucidez... desde então histórias sobre nós estão sendo escritas, páginas e páginas sendo grafadas mesmo sem a nossa contribuição ou consentimento. De nada adianta fingirmos que não compreendemos o que houve... o que há, de onde viemos, onde estamos...
Há um caminho sendo construído, cheio de surpreendentes desvios, pontes e avassaladoras colisões.
Mas parece que me perdi no meio dele... então, quando me encontrares, aperte-me contra o teu peito sem nada dizer... porque sempre foi no abraço que nos reconhecemos e nos apartamos de todo o resto a nossa volta...