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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

Do que pretendo esquecer...

Andei revisitando minhas lembranças... e algumas delas já estavam gastas, desbotadas como uma foto antiga.
Mas não quis restaurá-las como sempre faço, não fiz o mínimo esforço para vê-las novamente com as cores que tinham quando não eram recordações e sim fatos.
E assim as verei partindo de mim, porque aos poucos elas irão diluir-se num mar de coisas novas, serão ofuscadas pela luz que deixei entrar para clarear o escuro que tantas incertezas deixaram.
Porque é assim que as coisas funcionam, ou pelo menos deveriam... palavras desencontradas, atitudes contrastadas, falsidade e omissão são capazes de destruir a beleza do que se viveu, o sentimento que por tempos nos inebriou e qualquer sonho que com isso fora alimentado. Os momentos felizes viram mágoa, a mágoa vira tristes memórias e estas... também se vão.
Já experimentei dores frias, lancinantes, mas evito desfazer-me das minhas marcas, pois sem meus erros eu não teria a força que tenho... porém algumas delas não merecem ser nada al…

Palavras vão e vem...

Há tempos as minhas palavras não eram suas... elas estavam presas em um espaço que demarcava o distanciamento que você provocou entre nós... e ficaram lá, abandonadas e insignificantes, sem a menor pretensão de emergir.
Você as colocou num abismo e surpreendentemente, quando eu já não acreditava que elas pudessem elaborar sequer algo triste, você pagou o resgate e as trouxe de volta!
Ahhh, então aos poucos elas foram surgindo, sorrateiramente caiam do canto da boca e me enchiam as mãos... eu as tateei, as enfeitei e até pus açúcar, assim quando fores digeri-las desejarás ouvir de mim sempre mais, mais e mais...
Sabe, a raiva e a mágoa também fazem com que as palavras fluam, são cuspidas em série, surgem amargas e detém a capacidade incomparável de produzir textos e discursos... mas tudo a base de lágrimas e muita dor.
Por outro lado, quando o vocábulo fica escasso, some de nós e já não há o que dizer, é porque todos os sentimentos, bons e ruins, também já se foram... e eu? Eu não que…

Sentada à beira do meu caminho...

Há dias pesados, ou melhor, fases ásperas em que a vida parece mais densa do que realmente é... e estranhamente em alguns desses momentos a minha solidez me abandona em vez de me fazer reforço.
Talvez seja um recado sutil de que também é preciso ver-se e sentir-se frágil.
E embora eu me sinta uma roupa fora do corpo ou um acessório que destoa do conjunto, lá no fundo eu encontro beleza no meu caminhar. É a essência que não partiu, a fé que insiste em ficar...
A minha fome passou e a sede já não me incomoda, mas eu me alimento, bebo de gole em gole as intempéries da minha existência.
Não vou partir de mim e nem destoar do que sempre fui, só quero um tempo para esmorecer e sentar-me pra ver a vida passar...

Tantas vezes fui conto, hoje sou crônica, mas ainda volto a ser poesia...