Pular para o conteúdo principal

Do que pretendo esquecer...


Andei revisitando minhas lembranças... e algumas delas já estavam gastas, desbotadas como uma foto antiga.
Mas não quis restaurá-las como sempre faço, não fiz o mínimo esforço para vê-las novamente com as cores que tinham quando não eram recordações e sim fatos.
E assim as verei partindo de mim, porque aos poucos elas irão diluir-se num mar de coisas novas, serão ofuscadas pela luz que deixei entrar para clarear o escuro que tantas incertezas deixaram.
Porque é assim que as coisas funcionam, ou pelo menos deveriam... palavras desencontradas, atitudes contrastadas, falsidade e omissão são capazes de destruir a beleza do que se viveu, o sentimento que por tempos nos inebriou e qualquer sonho que com isso fora alimentado. Os momentos felizes viram mágoa, a mágoa vira tristes memórias e estas... também se vão.
Já experimentei dores frias, lancinantes, mas evito desfazer-me das minhas marcas, pois sem meus erros eu não teria a força que tenho... porém algumas delas não merecem ser nada além de rastros do que não deveria ter sido.
E elas não levarão de mim mais do que já levaram... eu as deixarei cair, sem pena, na avalanche do esquecimento.

Comentários

  1. Essa avalanche as vezes demora chegar, demora ainda mais se tornar efetiva, muitas vezes o esquecimento se quer vem a existir. Mas as tais fotos desbotadas podem sim ser novamente visitadas, desde que tenha a relevância merecida; a importância incumbida às memórias que não deve ser revividas. Afinal, o passado é um grande aprendizado, claro que tudo depende do ponto de vista.

    No entanto, suas palavras são belíssimas, alias não são só as palavras por aqui, que provém de beleza. parabéns.. até mais.

    ResponderExcluir
  2. Ola Kenia,
    Texto perfeito.
    Pior que existe mais canalhas no mundo do que a gente pensa. E as vezes bem perto!

    Beijos lindona

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Se ao me ler, um impulso te trouxer algo à mente ou ao coração, escreva...

Postagens mais visitadas deste blog

Para renascer é preciso morrer!

É exatamente assim, no começo parece que te falta o ar, que algo espreme teu peito sem cessar e derrama o sumo dessa compressão nos teus olhos, compulsivamente.
Os primeiros dias passam e nada colore tua existência, só habita em ti a neblina das lembranças cinzentas, daquilo que ainda te fere...e estão em tudo que tu tentas fazer, repetindo-se como um velho vinil riscado, fazendo ondas gigantes em tua mente...das mentiras que te foram contadas, das verdades omitidas, das peças que se encaixam, da dissimulação ardil, das atitudes tão ínfimas quanto rasteiras e do presente se encontrando com as mesmas dores do passado.
É a desconstrução do que tu acreditavas, ou achava que ainda cria. É o fim da tua luta, que por mais que parecesse perdida, havia dias em que alguns sinais diziam que a guerra valeria a pena. Mas não valeu! Lutar pelo quê agora? E o mundo parece partir ao meio, mas tu não estais nem de um lado e nem do outro. Estais sem segurança, sem direção, neste abismo que se abriu a …

Nem tudo vale a pena...

Vida que segue, histórias que findam... para que outras comecem.
Erros e caminhos que não podem ser refeitos.
Lamentar já não serve, porque o que passou nos escapou e o que fica de concreto são somente as lições, marcadas a ferro e fogo, nada poderá tirá-las de nós... pessoas e situações se vão, mas as aprendizagens ficam... e que bom que é assim!
Todos temos na vida momentos ou fases que desejaríamos não ter vivido, ou não mais lembrar, mas são exatamente estes que ficam se repetindo em nossas mentes a ponto de dizer-nos ao pé do ouvido: logo tu, tão seguro (a), esperto (a) e cheio (a) de si, viveste isto?
É, a racionalidade nem sempre nos é companheira e por vezes abandona até o mais perspicaz dos mortais. Importante mesmo é que ela não se vá para sempre e que o amor próprio continue reinando absoluto sobre todas as paixões terrenas.
Havia dentro de mim uma convicção imensa de que esse meu jeito de viver impulsivamente, respeitando todos os desejos e fazendo sempre o que o coração …

Um rascunho perdido de amor

Em alguns dias esse amor, que já mora em mim faz tempo, chega assim súbito, como brisa no rosto em um dia de calor...e é tão bom sentir. Nessa hora até parece que ele é novo, amor menino, ainda contaminado pela veemência da paixão.





[Um texto iniciado em 07/03/13...resolvi não complementá-lo, pois cada emoção deve manter a essência do seu tempo.]