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Senhor Tempo

E as certezas se tornaram imensos vazios O que apertava o peito a ponto de sufocar converteu-se em emoção contida As coisas mais irrefutáveis transfiguram-se em absurdas Os dias entregues gratuitamente (e com paixão) começam a parecer caros A ansiedade louca e ligeira que consumia a alma, abranda-se em um retorno aos antigos hábitos O sentimento que submetia à insensatez, busca compreensão dos fatos A iminência de uma nova era dá lugar a um recomeço que resgata, vagarosamente, o tempo decorrido O que pareceu sem importância e tão facilmente descartável é o que agora se faz consolo O isolamento não faz mais sentido, a privação já gera pesar A imagem dos sonhos já não fala ao coração que, frio e sem propósito ardente, vive um dia de cada vez E serenamente a saudade outrora doída, vira história de amor a lembrar O que conduzia às lágrimas, hoje desvela um sorriso no canto da boca Apropriando-se da sensação de lição pra vida toda marcar! E o tempo continua a alterar convi...

Dessas mulheres prá comer com dez talheres...

Estava cheia de idéias para escrever hoje, quando, lendo alguns blogs selecionadíssimos, encontrei este post da Solange Maia e...pára tudo, tenho que postar este texto, nada tão verdadeiro e tão poético para falar de nós, mulheres que não cabem em NENHUM PADRÃO: Dessas mulheres prá comer com dez talheres... Sou dessas mulheres sinuosas, de colo curvilíneo e sorriso enluarado. Em mim perdem-se e acham-se os sonhos. De medidas extremas. Tanto no outono quanto na primavera. Gosto de gostar. Gosto do prazer, sou tátil, feminina. Sim, admiro a beleza longilínea e vertical, mas herdei a horizontalidade esteatopígea. Não caibo em padrões. Respiro livre, sem a rigidez imposta por aí. Invisto meu tempo em outros prazeres : dedico-me a ser feliz. Porque para o amor há sempre uma pessoa de medidas certas. E, se meus seios cabem em suas mãos, então sou (só) para você. É por isso que, como cantou Ana Carolina, prefiro ser destas mulheres prá comer com dez talheres.

Oração

Que não extenue as fontes das quais tenho me alimentado, pois cada uma é atrativa, rica e com sabores surpreendentemente diferentes, de cada uma retiro a saciedade desejada. Que aquelas que já secaram não mais me interessem, porque aquilo que não me nutre, não gera nada além de fome!

Contenda

Olhei pela janela e me chamava a vida Aqui dentro o aconchego me abraçava com força maior O que me impulsionava a ir Nem de longe era a consistência de outrora O brilho do sol despertava sonhos Logo a noite encantou tudo que se podia ver Mas aqui dentro ainda tinha muita força Ignorando toda expectativa de viver Nesta peleja a mente voa e o corpo fica Como a flecha é lançada longe pelo arco inerte Porque se habituou a só fazer O que o coração insiste em ordenar

Ausente

Nas estradas que tenho andado, pouco vejo à minha frente, mas muito tenho observado os arredores, e é isso que tem me empurrado pra além do horizonte, apenas isso. É bem provável que esta não seja a melhor forma de percorrer caminhos, mas o que faço agora é caminhar sem enxergar muito além, talvez porque não queira ver ou talvez porque não consiga...as lições dos flancos tem me bastado. O certo é que ando sedenta, do que possuo e do que não tenho ainda, do que posso e do que não posso viver, do que conheço e do que desconheço, de sonhos, objetivos e de mim, ando com muita sede de mim! Não me reconheço vez ou outra e quase não encontro mais comigo, pois estou sempre a espera de algo, numa expectativa sem fim... Não sou pequena como o ato de andar sem direção, mas grandiosas tem sido as aprendizagens de viver como alguém que reconhece que não tem todas as respostas, que se perde no meio da estrada, que se angustia em caminhar sozinha e que faz do presente seu único tesouro. Para al...

Voltas

A vida é um bem-servir de histórias Um ciclo a girar numa velocidade tão desatinada Que é capaz de te fazer rir Quando o momento pede para chorar Eu danço ritmado Com a vida aprendo a dançar Hoje estou do lado daqui Mas ontem mesmo estive do lado de lá... Sem pressa volto à posição que é minha Nem preciso programar E é didático poder perceber Quando transito de lugar em lugar.