Pular para o conteúdo principal

Palidez insulsa.


Hoje senti algo que não lembro já ter sentido algum dia... estava eu insípida, sem aquela habitual ânsia de sentir, viver, entender, buscar, compartilhar...
O tempo inteiro vivo como se o mundo estivesse esperando algo de mim e como se eu não devesse desperdiçar um segundo sequer de vida, ou como se eu não pudesse ficar sem fazer algo que produza vibração na minha alma... mas naquele instante não havia nenhum problema se tudo ou qualquer coisa estivesse me aguardando.
Nenhuma pulsação me afastava daquela impressão vazia de completa indolência.
Não queria nada, coisa alguma, nem esse nem aquele, nem isso nem aquilo.
Queria uma nova chance, novas perspectivas, tudo diferente.
Queria começar do zero... é, mas quem não queria?
Não, não é apenas isso, vai além de qualquer ligeiro desejo de nulidade ou de que tudo perca o efeito... é algo que devasta ao mesmo tempo que paralisa, porque não é simplesmente impraticável, é impossível neste ou em qualquer outro mundo.
Nada pode nos arrancar o conteúdo. Eu sei.
Então não queria sentir isso outra vez, pois o que é irrealizável não poderá solidificar-me, e o que mais quero é consolidar meu eu!
Nesses momentos percebo que certas sensações também podem visitar esta mulher tão convicta.
Este invólucro que todos podem ver, encobre a não temeridade de um coração que também sofre, sonha, ama e deseja a quietude dos comuns.

Comentários

  1. Impulsiva, tomada por sensações desconhecidas.
    É estar se vivo, estar-se pre-disposto a viver, já senti isso a que relata, e acredito que seja qual for a sensação, estamos vivos e isso basta.
    Pois, estar-se vivo é poder aprender a cada dia diante do desconhecido...

    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Nem sempre nem nunca... como costumo dizer, todos os dias somos diferentes.
    Como gosto de vir aqui! :)

    Beijocas

    ResponderExcluir
  3. nao ha alma que aguente ser feliz todo o tempo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Se ao me ler, um impulso te trouxer algo à mente ou ao coração, escreva...

Postagens mais visitadas deste blog

Um rascunho perdido de amor

Em alguns dias esse amor, que já mora em mim faz tempo, chega assim súbito, como brisa no rosto em um dia de calor...e é tão bom sentir. Nessa hora até parece que ele é novo, amor menino, ainda contaminado pela veemência da paixão.





[Um texto iniciado em 07/03/13...resolvi não complementá-lo, pois cada emoção deve manter a essência do seu tempo.]

Para renascer é preciso morrer!

É exatamente assim, no começo parece que te falta o ar, que algo espreme teu peito sem cessar e derrama o sumo dessa compressão nos teus olhos, compulsivamente.
Os primeiros dias passam e nada colore tua existência, só habita em ti a neblina das lembranças cinzentas, daquilo que ainda te fere...e estão em tudo que tu tentas fazer, repetindo-se como um velho vinil riscado, fazendo ondas gigantes em tua mente...das mentiras que te foram contadas, das verdades omitidas, das peças que se encaixam, da dissimulação ardil, das atitudes tão ínfimas quanto rasteiras e do presente se encontrando com as mesmas dores do passado.
É a desconstrução do que tu acreditavas, ou achava que ainda cria. É o fim da tua luta, que por mais que parecesse perdida, havia dias em que alguns sinais diziam que a guerra valeria a pena. Mas não valeu! Lutar pelo quê agora? E o mundo parece partir ao meio, mas tu não estais nem de um lado e nem do outro. Estais sem segurança, sem direção, neste abismo que se abriu a …

Oclusão

Não sei como ainda pode existir algo de ti no meu peito, depois dos inúmeros pedaços que já arranquei...embora os tenha removido pouco a pouco, como aquele procedimento bizarro para curar queimaduras extremas (as necroses são retiradas da pele, para que a regeneração ocorra de dentro pra fora).E cada parte que eu tirava à força, era uma tentativa de viver de novo, mesmo me sentindo morta.

Durante todo este tempo, esses pequenos recomeços exigiram de mim muito esforço, porque estavam inclusos em um contexto de uma aparente harmonia. E mesmo com todo meu empenho em virar de vez esta página, você estava ali, mais presente do que eu conseguia admitir até pra mim mesma. Oscilação pura...é que de fato não é tão simples esquecer alguém que te faz interagir com um lado seu, até então, totalmente desconhecido. Provei da fração mais amarga que me constitui, aquela cuja autossuficiência e autocontrole, características que sempre me acompanharam e fizeram de mim a pessoa mais confiante do mundo, f…