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Sobre amores e dissabores

"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém."
(Trecho do poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade)


Nunca vi algo tão atemporal. Não há civilização, nem época, nem cultura que não conviva com a dinâmica dos amores não correspondidos ou dos que o deixam de ser. Os amores e as paixões, seja expostos na expressão de rostos e falas ou escondidos em corações resignados, pulsam e fazem o mundo girar, movem as pessoas, constroem grandes histórias, ou mesmo tragédias, mudam vidas, geram pessoas (por nascimento ou renascimento). Mesmo se quisermos ignorar qualquer visão romântica da vida, vemos estes sentimentos também como bases fundamentais da sociedade, sem os quais nenhuma delas poderia ser construída.


E ninguém há de esquecer dos amores que não encontram leito ou deleite, ou daqueles que encontram e perdem sua morada. Estes parecem ser os mais comuns. Vidas inteiras são construídas em cima de amores unilaterais, desconstruídas também. E o mais interessante e complexo de constatar nesta minha viagem pelo mundo das relações a dois (ou a três, a quatro), é a nossa TOTAL impotência diante do que se sente e do que se desperta nos outros, não ter este controle (e a humanidade nunca o terá) faz tudo tornar-se mais desafiador, intrigante e paradoxalmente com muito mais sentido. Não quero nem pensar em viver tendo o poder de controlar minhas emoções...



"Não posso reclamar da vida, nunca me faltou amor, e com isso cultivei o maior de todos eles: o meu amor próprio." (Kenia Araújo)

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